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Marketing B2B

Branded Content: 5 Dicas e Case Nestlé

Clara Ramos10 min de leitura10 de abril de 2026

Branded content: 5 dicas práticas pra criar conteúdo de marca que funciona em 2026

Branded content gera 22 vezes mais engajamento do que anúncios de display tradicionais e 14% mais retenção entre quem foi impactado. Mas a maioria das empresas brasileiras ainda confunde branded content com publicidade disfarçada — e o resultado é conteúdo que ninguém escolhe consumir, dinheiro queimado em produção e zero autoridade construída. Esse artigo é sobre o que separa branded content que funciona de branded content que envelhece esquecido na pasta de mídia.

O que é branded content (na prática, não na teoria)

Branded content é conteúdo criado por uma marca pra entregar valor real ao público — informação, entretenimento, inspiração, utilidade — sem que a venda seja o objetivo central. A marca aparece como autora ou patrocinadora, não como anunciante invasivo.

A definição que eu mais gosto vem do Leonardo Moura: branded content é o conteúdo produzido, promovido, fomentado e disseminado pela ação de uma marca. Não é entretenimento puro, e não é publicidade pura. É a interseção entre os dois, onde a consistência de posicionamento e a conexão com o público importam mais que a CTA do final.

A diferença prática entre branded content e propaganda convencional está na postura. Anúncio interrompe pra vender. Branded content entra no fluxo do que a pessoa já queria consumir e oferece algo de valor primeiro. Quando bem feito, cria uma ponte entre marca e consumidor baseada em interesses e valores compartilhados — não em ofertas e descontos.

E o mercado já reagiu. Estudos mostram que branded content é 22 vezes mais propenso a gerar engajamento do que peças de display comuns. E quem é impactado tem 14% mais chance de continuar consumindo conteúdo da mesma marca depois. Em um mundo onde atenção é o recurso mais escasso, essas duas estatísticas mudam o jogo todo.

5 dicas pra criar branded content que funciona

1. Conheça seu público até o nível do detalhe

Não dá pra criar conteúdo relevante sem entender com quem você está falando. E entender de verdade — não o "nosso público é jovem urbano e antenado" que cabe em qualquer marca. Quais são os medos, as ambições, as conversas que sua audiência já está tendo no LinkedIn ou no Instagram? O que ela busca no Google quando ninguém está olhando?

A pergunta que orienta bem é: "o que eu posso oferecer que vai fazer diferença real na vida dessas pessoas?" Se você não consegue responder isso com precisão, o branded content não vai funcionar.

2. Histórias que grudam na mente

Branded content que engaja é aquele que conta histórias que emocionam, inspiram ou ensinam algo concreto. Narrativa importa mais do que produto — porque é o que faz a pessoa lembrar da marca depois.

A regra: se a sua história só funciona porque o produto da marca aparece, não é uma história. É um anúncio. A história precisa ter valor próprio.

3. Autenticidade não é negociável

O público em 2026 é radar de autenticidade. As pessoas sentem na hora quando uma marca está forçando uma narrativa que não é dela ou tentando puxar uma causa que não cabe. E quando isso acontece, o efeito é o oposto: a marca perde credibilidade.

Autenticidade significa criar conteúdo a partir do que a marca realmente é, não do que ela queria ser. Se sua empresa é técnica e séria, branded content cômico vai parecer falso. Se sua empresa é informal e divertida, branded content corporativo vai parecer engessado. Cabe no que cabe.

4. Qualidade acima de quantidade (mas as duas importam)

Branded content precisa ser bem produzido — não no sentido de orçamento alto, mas no sentido de cuidado editorial. Texto bem escrito, vídeo bem cortado, foto bem feita, raciocínio bem articulado. Conteúdo descuidado comunica que a marca não respeita o tempo do leitor.

Mas qualidade sozinha não basta. Branded content é jogo de longo prazo — você precisa volume e frequência consistentes. Uma peça brilhante e isolada não constrói autoridade. Cinquenta peças boas ao longo de um ano constroem.

5. Integração com a estratégia geral da marca

Branded content não é uma ilha isolada. Ele faz parte de um ecossistema maior que inclui posicionamento, identidade visual, tom de voz, canais de distribuição e estratégia comercial. Se o branded content vai numa direção e o resto da marca vai noutra, a percepção do público fica confusa — e marca confusa não é lembrada.

A pergunta de checagem: se alguém consumir esse conteúdo sem saber qual marca produziu, ainda assim conseguiria adivinhar? Se sim, é coerente com o resto da operação.

Case: Receitas Nestlé e a maior plataforma de branded content gastronômica do Brasil

A Nestlé fez uma das jogadas mais inteligentes de branded content do mercado brasileiro com o Receitas Nestlé, lançado oficialmente em 2016.

A premissa é simples: ao invés de tentar empurrar produtos, a marca criou uma plataforma editorial onde os produtos da Nestlé aparecem como ingredientes-chave em receitas reais. Você quer fazer um brigadeiro perfeito? O leite condensado da Nestlé é o herói. Quer um bolo de chocolate que dá certo de primeira? O chocolate em pó da Nestlé está lá. A marca virou parceira da cozinha — não vendedora ambulante.

Em 2019, a Nestlé deu um upgrade na plataforma. Não foi só repaginação visual: o site começou a entender o que a pessoa tinha na geladeira e sugerir receitas baseadas nos ingredientes disponíveis. Branded content vira utilidade pessoal.

Quando 2020 chegou e o mundo entrou em casa, a Nestlé acelerou a aposta no conteúdo digital. Lançou programas e webséries no YouTube, criou perfil no TikTok e iniciou um blog com conteúdo editorial sobre cozinha e alimentação. Resultado: o número de acessos dobrou em relação ao ano anterior.

Hoje, o Receitas Nestlé tem mais de 540 mil inscritos no canal do YouTube e mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram, além de presença consistente no Facebook, TikTok e Pinterest.

A pergunta que a maioria faz é: por que isso é branded content e não só um site de receitas qualquer? A resposta está em três coisas:

Primeira: o conteúdo só existe porque a Nestlé tem produto. As receitas são desenhadas pra mostrar o produto da Nestlé como solução prática — mas sem soar como anúncio. É educação aplicada com a marca como protagonista discreta.

Segunda: a plataforma constrói relação de longo prazo, não venda imediata. Você usa o Receitas Nestlé pra cozinhar hoje. Daqui a uma semana, no supermercado, qual marca de leite condensado vem na cabeça primeiro? A que te ajudou a fazer o brigadeiro perfeito.

Terceira: o Receitas Nestlé virou uma instituição. Não é campanha de mídia que termina daqui a três meses — é projeto editorial que existe há quase uma década e vai continuar existindo. Branded content de verdade não é sprint, é maratona.

A versão B2B desse case é o seu time inteiro no LinkedIn

Aqui chegamos na parte que praticamente nenhuma empresa B2B brasileira está executando direito.

A Nestlé é uma empresa gigante, com orçamento gigante, com times dedicados de produção de conteúdo. A maioria das empresas B2B no Brasil não tem isso — e por isso desiste de branded content antes mesmo de começar, achando que é coisa de marca grande.

Não é. A versão B2B do Receitas Nestlé pra empresas em 2026 é uma operação distribuída de criadores corporativos no LinkedIn, onde cada colaborador do time é um pequeno editor de conteúdo da própria marca. Cada um com sua expertise, seu ângulo, sua audiência específica. Todos alinhados a um propósito comum.

Pensa na matemática. Uma empresa B2B com 20 colaboradores ativos, cada um publicando 2 vezes por semana no LinkedIn, produz cerca de 160 peças de conteúdo por mês. Em um ano, são quase 2.000 peças de branded content distribuídas pela voz das pessoas que efetivamente fazem o produto, vendem, atendem e operam.

Isso é volume de jornalismo de marca. Sem precisar contratar agência cara. Sem depender só do post oficial da Company Page que ninguém vê. Sem queimar dinheiro em mídia paga só pra existir no feed.

E a vantagem secundária é que esse conteúdo é radicalmente mais autêntico do que qualquer coisa que uma agência poderia produzir, porque vem das pessoas certas falando do que elas realmente conhecem.

Perguntas frequentes sobre branded content

Branded content é a mesma coisa que marketing de conteúdo?

Quase. Marketing de conteúdo é o termo guarda-chuva pra qualquer estratégia que use conteúdo pra atrair e reter audiência — incluindo SEO técnico, landing pages, materiais ricos, e-mail marketing. Branded content é uma subcategoria mais editorial, focada em criar valor autônomo (entretenimento, educação, inspiração) sem objetivo direto de conversão imediata.

Quanto tempo leva pra branded content trazer resultado?

Os primeiros sinais de engajamento aparecem em 3 a 6 meses de produção consistente. Construção de autoridade reconhecida no nicho leva 12 a 18 meses. Posicionamento de referência editorial leva 2 a 3 anos. Branded content é estratégia de longo prazo — quem busca resultado em 30 dias vai se frustrar.

Quanto custa criar branded content?

Varia muito. Branded content premium produzido por agência pode custar centenas de milhares de reais por campanha. Branded content distribuído (feito pelo time interno via LinkedIn, por exemplo) custa uma fração disso e gera resultado consistente ao longo do tempo. A escolha depende da escala desejada e do orçamento disponível.

Como medir o sucesso de branded content?

Métricas que importam: tempo médio de consumo, taxa de retorno de visitantes, salvamentos, compartilhamentos, comentários genuínos, crescimento de base de assinantes/seguidores, menções espontâneas. Ignorar métricas vaidosas como impressões totais — elas dizem pouco sobre se o conteúdo funcionou.

Branded content funciona pra empresa B2B pequena?

Funciona — e às vezes melhor do que pra empresa grande, porque empresa pequena consegue ter voz mais autêntica e relação mais próxima com o público específico. O ponto crítico é a consistência: empresa pequena que publica todo dia por 12 meses constrói mais autoridade do que empresa grande que faz uma campanha bombástica e some.

Pare de criar conteúdo isolado. Construa uma operação.

A maioria das empresas B2B trata branded content como projeto: contrata agência, faz campanha, mede resultado, repete daqui a um ano. Esse modelo é caro, lento e não acumula autoridade.

A Boldfy é a plataforma de Content Intelligence que ajuda empresas a transformar o time inteiro em criadores corporativos no LinkedIn, com método, IA contextual, gamificação e trilhas que ensinam mindset de conteúdo. É branded content em escala, rodando todos os dias, sem depender de campanha pontual ou agência terceirizada.

Se sua empresa quer construir autoridade real no LinkedIn, a pergunta certa não é "quanto vamos investir em branded content este trimestre". É "quem dentro da nossa empresa hoje tem voz e contexto pra contar a história que queremos contar".

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Clara Ramos

Clara Ramos

Clara Ramos é estrategista de conteúdo e fundadora da Boldfy, plataforma de Employee Advocacy. Top Voice no LinkedIn com 140k+ seguidores.

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