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Marketing B2B

Marcas, Cores e Case Nubank

Clara Ramos7 min de leitura10 de abril de 2026

Marcas e cores: como escolher sua paleta e o que o Nubank ensina sobre isso

Cor aumenta o reconhecimento de marca em até 80% — e 95% das 100 maiores marcas do mundo usam apenas uma ou duas cores no logo. Não é coincidência. É a estratégia mais subestimada no branding.

Antes de qualquer texto, antes do nome, antes do produto em si, a cor já comunica. Ela é o primeiro elemento que o olho capta. Por isso, escolher a paleta de uma marca não é decisão estética — é decisão estratégica.


Por que cor importa tanto para uma marca?

55% das primeiras impressões sobre uma marca são visuais. Antes de saber o que a empresa faz, antes de ler um parágrafo sequer, o público já formou uma opinião com base no que viu. E cor está no centro dessa percepção.

Marcas que dominam a cor criam algo valioso: reconhecimento instantâneo. Você não precisa ver o logo completo para saber quem é. Uma faixa vermelha com lettering branco específico é Coca-Cola. Um laranja saturado é Renner ou Amazon, dependendo do contexto. Um roxo vibrante, no Brasil, é Nubank — a ponto de o próprio mercado ter criado um apelido para a cor.

E tem mais: cor é mais fácil de lembrar do que nome. Antes de alguém memorizar o nome da sua empresa, eles vão lembrar do visual. A cor carrega a identidade nos momentos em que nenhum outro elemento está presente.


5 critérios para escolher a paleta certa

1. Mapeie o que a concorrência já ocupa

Antes de escolher qualquer cor, olhe para o mercado em que você compete. Quais cores já estão associadas a outros players? Isso tem dois usos: você evita ser confundido com concorrentes e consegue identificar espaços de diferenciação visual.

No setor financeiro de 2012, o padrão era azul e verde — cores de segurança e confiança. O Nubank foi lá e escolheu roxo. Não porque roxo fosse "melhor", mas porque estava livre. E livrar tornou a cor deles.

2. Consistência vale mais do que perfeição

Uma cor boa usada com consistência bate uma cor perfeita usada de forma irregular. O cérebro humano aprende por repetição. Cada vez que a marca aparece com a mesma paleta — no feed, no produto, na embalagem, no atendimento — o reconhecimento se consolida um pouco mais.

Mudanças de paleta sem razão clara custam caro: você começa do zero no trabalho de memória que já construiu.

3. Menos cores, mais força

A tentação de usar muitas cores é real, especialmente para quem está construindo uma identidade do zero. Resista. Quanto menos cores, mais fácil de aplicar, mais fácil de lembrar e mais coeso o resultado final.

Uma cor primária forte, eventualmente uma secundária complementar e uma cor de neutralidade para fundo. Mais do que isso começa a enfraquecer o conjunto.

4. A cor precisa conversar com a mensagem

Cor isolada não significa nada. O que ela significa depende do contexto, do mercado e do público. Roxo para o Nubank é inovação e ruptura. Roxo para uma marca de produtos de limpeza seria confuso.

A pergunta não é "essa cor é bonita?" — é "essa cor reforça o que essa marca quer comunicar, para esse público específico?"

5. Pense a longo prazo

Tendências de design têm ciclo curto. Cores de marca bem escolhidas duram décadas. A paleta do McDonald's é de 1962 e ainda é imediatamente reconhecível. Antes de adotar uma cor que está "em alta", pergunte se ela ainda vai fazer sentido em dez anos.


O case do Nubank: como o roxo virou um ativo de marca

O Nu não escolheu o roxo porque era bonito. Escolheu porque estava livre, porque criava contraste com o mercado financeiro tradicional e porque combinava com o posicionamento de quem veio para quebrar padrões.

O resultado foi além do esperado. A cor se tornou tão associada à marca que o mercado criou um apelido — "o roxinho" — que virou termo de referência. Hoje, elementos visuais roxos sem nenhum logo, copy ou produto evocam Nubank. É o que os especialistas chamam de "color equity" — quando uma cor vira ativo proprietário da marca.

Para comemorar os 10 anos, o Nubank fez uma campanha onde não aparecia o produto, não aparecia o logo, não aparecia nenhum texto explicativo. Só roxo — em instalações, objetos do cotidiano, elementos visuais urbanos. A campanha se sustentou inteira na cor.

A tagline era "Até onde não tem Nubank, tem Nubank". Mais do que poético, era literalmente verdadeiro: a cor tinha chegado antes.

Cartão, camiseta, adesivo, sticker, post no LinkedIn, capa de caderno. Pessoas usando roxo como declaração de identidade, não só como usuárias de produto. Isso é o que uma paleta de cor bem escolhida, aplicada com consistência, pode construir ao longo de uma década.


Quando a identidade visual vira conteúdo: o link com Employee-Led Growth

Tem um ponto sobre branding de cor que raramente é discutido no contexto B2B: a identidade visual da empresa afeta diretamente como os colaboradores se expressam sobre ela.

Uma marca com paleta bem definida e aplicada cria atalhos visuais que os próprios colaboradores usam quando falam publicamente. Quando alguém do time do Nubank posta sobre o trabalho no LinkedIn, o roxo aparece naturalmente — no print do produto, na camiseta, no fundo do escritório. A identidade visual está presente no conteúdo mesmo quando ninguém pediu.

Isso é Employee-Led Growth funcionando com suporte visual. Os colaboradores criam conteúdo sobre a marca, e a marca aparece reconhecível porque a identidade foi construída com consistência.

Se você quer que o time da sua empresa fale sobre ela com essa naturalidade, a Boldfy foi construída para isso: conheça a plataforma.


Perguntas frequentes sobre cores e branding

Qual a diferença entre cor primária e cor de marca?

Cor primária de marca é a cor principal que representa a empresa — a que aparece primeiro, com mais frequência e mais força. Dentro de uma paleta, pode haver cores secundárias de suporte, mas a cor primária é o ativo central de reconhecimento.

Posso usar cor tendência no branding da minha empresa?

Pode, mas com cautela. Cores de tendência têm vida curta. Se a identidade da sua empresa for construída em cima de uma moda visual, o rebranding vai ser necessário em poucos anos. O ideal é que a cor seja escolhida pelo que representa para a marca, não pelo que está em alta.

Quantas cores devo usar na paleta da marca?

O ideal para a maioria das marcas é uma cor primária forte, uma cor secundária complementar e um neutro para fundos e texto. Mais do que isso começa a diluir o impacto e complicar a aplicação.

Posso registrar uma cor como marca no Brasil?

No Brasil, o INPI aceita o registro de cor como marca em condições específicas — a cor precisa ter adquirido distintividade comprovada por uso prolongado e intenso. É um processo complexo, mas é o que empresas como o Nubank buscam para proteger o roxo como ativo proprietário.

Como saber se a cor escolhida está alinhada com o público certo?

O caminho mais confiável é pesquisa qualitativa direta: mostre a paleta para pessoas que representam o público ideal e observe as associações espontâneas. Ferramentas de eye tracking em pesquisas de UX também revelam como cores específicas direcionam atenção.

Cores têm significado universal ou variam por cultura?

Variam significativamente. Branco representa luto em algumas culturas asiáticas e pureza no ocidente. Verde pode ser ecológico, dinheiro ou inveja, dependendo do contexto. Antes de fechar uma paleta para mercados internacionais, pesquise as associações culturais específicas.

Clara Ramos

Clara Ramos

Clara Ramos é estrategista de conteúdo e fundadora da Boldfy, plataforma de Employee Advocacy. Top Voice no LinkedIn com 140k+ seguidores.

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